O CAVAQUINHO

cavaco

A história do cavaquinho ainda não foi escrita de forma definitiva. Há várias vertentes sobre sua origem e trajeitória. Uma delas afirma que ele é da familia das guitarras, descendente do instrumento chamado requinto, muito semelhante em sua forma ao cavaquinho dos dias de hoje. Outra, defendida pelo pesquisador português Gonçalo Sampaio, afirma que ele tem origem grega, tendo sido levado para Portugal, mais especificamente para o Minho, pelos biscainhos, já jorge Días, outro historiador português, considera-o originário do guitarrico, instrumento espanhol da familia das violas, de origem moura. (ver imagem) Em Portugal foi conhecido por diversos nomes (e em algumas regiões ainda é), como: machete, manchete, marchete, machinho, braguinha ou braguinho,etc. Naquele país tem diversas afinações e algumas vezes 5 cordas ao invés de 4, ou ainda cordas dobradas. Também apresenta algumas variações de construção, e é tocado de muitas maneiras. A mais popular é similar a usada para tocar o charango – ao invés de usarem uma palheta na mão direita (como é mais comum no Brasil), fazem o ritmo com os dedos, ou espécies de dedeiras, ou mesmo com as unhas daquela mão, com uma técnica chamada rasgado ou rasgueado. Alguns autores levantam a possibilidade de que, por ser construído originalmente de uma única peça de madeira vulgar, sem qualificação, os portugueses tenhamno chamado de cavaco (pedaço de pau), e a seguir de cavaquinho. assim foi trazido para o Brasil, para o resto da América do sul, para o Havai e para Cabo Verde (Africa), conservando as características próprias das respectivas regiões portuguesas de origem. Há pesquisadores que afirmam que o charango e o quatro, encontrados em países da América do Sul e inclusive em algumas regiões do Brasil, (acompanhando o “boi” no Maranhão, por exemplo) são exatamente o cavaquinho português de Coimbra, do Minho e de Açores.De fato, a forma de tocar e o efeito sonoro são muito semelhantes. Para o Havai, foi levado 1879, por João Fernandes, músico da ilha da Madeira. Rapidamente os havaianos batizaram definitivamente o instrumento de ukulêle, que curiosamente quer dizer “pulga saltadora”, certamente numa alusão ao modo “saltitante” como era tocado. Assim é conhecido até hoje naquele país. O Brasil, no entanto, foi o país onde o cavaquino ganhou maior popularidade, e mais ampla utilização. Neste país ele é usado na execução dos mais diversas regiões, e podemos dizer que teve sua técnica tão camente aprimorada quanto em nenhum outro país. Na música popular, teve participação fundamental desde o principio da sua história, formando conjutamente com o violão e alguns outros instrumentos a estrutura dos generos mais ricos e representativos da cultura musical do país, como o choro e o samba. Aqui é mais usada a afinação ré-sol-si-ré (do grave para o agudo), popular em Lisboa e na ilha da Madeira, assim como a técnica do ponteado, além de manter as principais caracteristicas da estrutura de fabricção. Alguns músicos brasileiros também optaram pela afinação ré-sol-s-mi, usada em outras regiões do Portugal, como recurso para aumentar sua tensão, visando sobretudo o solo. Em todos os casos, tento no seu país de origem quanto nos que o adotaram, o cavaquinho é mais usado como instrumento de acompanhamento – como chamamos no Brasil – centro. A definição é muito oportuna, pois sua posição como acompanhante está de fato centrenlizada entre os instrumentos de percussão e harmonia. Mas, como instumento de solo, além de grande popularidade, tem um repertório considerável e na sua histôria há otimos instrumentistas que muito contribuiram para o enriquecimento de nossa música. Entre os mestre do cavaquinho, sejam centristas, solistas e/ou compositores, deve-se citar Jonas Pereira da Silva, Canhoto, Nelson Alves, Esmeraldino Salles, Garoto e Waldyr Azevedo. A este último, o cavaquinho deve muito da sua popularidade e reconhecimento, inclusive internacional. (da revista “RODA DE CHORO” N°4 1996)

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